Super Cavaco a Presidente

2005/10/24

 
Dr. Mário Soares incomodado?

Fonte próxima da candidatura do Dr. Mário Soares à Presidência da República revelou ontem estar um bocado incomodado com a existência do blog não oficial do candidato, por apenas e só criticarem o Professor Cavaco Silva e a sua familia, revelando não ser essa a estratégia que pretendem seguir na campanha, atitude essa que os estará a prejudicar.

Anabela Santos da Rocha

Comments:
Bye, bye Arrebenta....Bye, Bye D. Tecelao....
 
Cavaco nunca foi cavaquista.

A vantagem de Cavaco Silva, e uma das origens do seu avassalador apoio popular é precisamente ser o oposto daquilo que os seus detractores gostam de dizer dele, porque lhes dava mais jeito que assim fosse.

Pretendem muitos, à luz das teses argumentativas que usam e particularmente os soaristas que mais atacam Cavaco Silva, que no fundo não há diferenças entre todos os que andam na política.

Isto, quando não é uma projecção subconsciente dos próprios egos, será vício ideológico, simples distracção ou defesa de causa particular, tudo razões que não podem ser admitidas pelos próprios, ou o Dr. Freud teria sido um fabricante de chocolates.

A argumentação utilizada, além de pobre porque assenta a maior parte das vezes em generalidades e lugares vazios, resulta da maneira comum mas errada de ver a política, e daquilo que se espera de cada um no serviço que devem prestar ao país – todos aqueles que estão na política.

Contém essa argumentação, duas ideias:
A primeira, é que a política compete aos políticos, sendo estes necessariamente profissionais da mesma, e a segunda, que deriva do raciocínio de haver sempre uma causa ao verificar-se um determinado efeito.

Se a primeira ideia se demonstra errada por qualquer lógica e também por ser uma fonte da repulsa com que o povo vê a política e os políticos em geral, a segunda ideia cai no erro de raciocinar a política como um fenómeno que funciona segundo os princípios da física e da mecânica.
Como se sabe, nem sempre é assim. Há efectivamente quem esteja na política com seriedade e por genuíno apego à coisa pública não sendo necessariamente político profissional, tal como há políticos ditos profissionais que estão na política exactamente pelas mesmas razões e são pessoas de honestidade e sentido de serviço, acima de qualquer suspeita.
Não serão muitos, eventualmente, mas há-os, e em todos os quadrantes. E ainda bem.

A má governação de Cavaco Silva, muitos o dizem, foi a chamada política do betão.
Foi ter plantado centenas de escolas e hospitais por todo o país. Foi ter construído a rede de auto estradas que nos facilita o trabalho e as deslocações. Foi ter recuperado a área oriental de Lisboa. Foi o Centro Cultural de Belém. Foi a ponte Vasco da Gama. Foi a Auto Europa, etc.
Foi também o fim do monopólio da Televisão do Estado e a reforma de muitos serviços públicos.
Como foi também o corte de subsídios a projectos onanistas na cultura, que engrossou a fileira dos seus detractores com o exército dos subsídio-dependentes, e viria a dar origem à bacoca teoria do eucalipto, apregoada por todos os sanguessugas que, governo atrás de governo, vivem de mamar no orçamento de Estado.

Foi, acima de tudo, o ter conseguido que o país ligasse o motor do crescimento económico, e o ter devolvido a esperança aos portugueses.
Nas palavras insuspeitas e descomprometidas de Eduardo Lourenço, opinião que muitos acharão negativa, Portugal não sentia uma renovação e um desenvolvimento assim, desde Fontes Pereira de Melo.
A má governação de Cavaco Silva foi ter sido mais uva e menos parra, coisa que irritou o envernizamento do establishment.

Vejamos algumas perguntas clássicas com que atacam Cavaco Silva:
- No tempo de Cavaco Silva, não aconteceram derrapagens nos custos de construção dos Hospitais, Escolas e do Centro Cultural de Belém?
- No tempo de Cavaco não houve o enriquecimento rápido de muitas fortunas?
- No tempo de Cavaco Silva, não foi o Estado inundado de laranjada?
É evidente que tudo isso ocorreu e é exactamente isso a que se chama – cavaquismo.

Mas, repare-se, em que consistiu o cavaquismo?
Após a segunda vitória eleitoral de Cavaco Silva, particularmente nos dois ou três últimos anos de governo, o aparelho do PSD foi acometido de uma febre que levou a confundir-se o Estado com a estrutura partidária, e os interesses do país com os interesses do partido.
Na alucinação, foram atropelados inúmeros preceitos democráticos e até a própria Lei terá sido adaptada em alguns casos, como os jornais se fartaram então de enunciar.
Foi a febre dos carneiros que contaminou o Estado – “a febre d(e)a malta”.
A isso se chamou cavaquismo.

Mas foi exactamente por isso que Cavaco Silva, por não poder controlar o problema, se cansou de aturar o aparelho e preferiu retirar-se da política activa.
Ironicamente, resultou disto o benefício de Cavaco Silva se ter livrado desse género de apoiantes. Os outros, que não quiseram deixar de perceber que as razões eram endémicas ao sistema, também se desiludiram mas continuaram a apreciá-lo.

Por não ser político profissional, Cavaco sempre foi pouco mais do que tolerado pelo aparelho do seu próprio partido. Muitos dos que hoje dizem apoiá-lo conspiraram contra ele, e só por conveniência o apoiam agora.
É este um problema central do modo de funcionamento da generalidade dos partidos.
Com o passar do tempo, e mais rapidamente quando chegam ao poder, quase todos geram aristocracias que passam a trabalhar para os seus feudos particulares, deixando, quer o país quer o partido, como segundas prioridades.

O actual sistema levou a que nos partidos se desenvolvessem corpos estranhos à sociedade civil, dominados por grupos de toupeiras que minam os subsolos do Estado pelo abocanhar de tudo aquilo de onde podem sugar alimento.
Com o actual sistema, é inevitável, qualquer que seja o governo eleito, que cedo surgirão matilhas que lhe ferrem o dente para lhe sugarem o sangue.
A infinidade dos sistemas e subsistemas de saúde, que minam o Estado e ofendem a igualdade e a solidariedade, princípios cimeiros da ideia republicana, são disso uma pequena ilustração. Outros exemplos são as suspeitas não aclaradas de contratos com o Estado, em que os vencedores estarão pré determinados e todas as demais e sempre renovadas perplexidades que recheiam os jornais todas a semanas.

No PS, que aconteceu?
António Guterres, uma pessoa indubitavelmente bem intencionada e intrinsecamente honesta, foi também ele próprio mastigado pelas mandíbulas do aparelho.
O aparelho no qual Soares sempre mandou, directamente quando lá estava ou depois disso pelas suas correias de transmissão, e onde ainda hoje continua a mover as engrenagens que ontem centrifugaram Guterres e amanhã trucidarão Sócrates. É só deixarmos passar o tempo.
Bastará comparar-se a lista de comissários da sua candidatura com os recentemente nomeados para lugares no Estado, para concluirmos acerca do poder que Soares continua a exercer no PS, mesmo à distância.

Depois do PSD, a febre da malta laranja foi rapidamente anulada pela inoculação de uma nova doença: a febre da malta rosa, que substituiu a anterior doença no Estado.

O que começou há 10 ou 12 anos, tem vindo a purificar-se por sucessivas decantações de desencanto, governo após governo, ministro após ministro, até ao ponto que vemos hoje, perdidas que parecem estar as noções da ética e da decência, o Estado de Direito ser diariamente torcido pelos interesses e endireitado pelos negócios particulares, enfim, pela prática daquilo a que Soares chamou com propriedade, e veio a fazer caminho em múltiplas áreas – as magistraturas de influência, a que deveremos antes chamar, com mais verdade: as deploráveis influências de magistraturas viciosas.

Tudo o resto com que a nossa querida democracia tem vido a ser agredida e vilipendiada ao longo dos últimos 10 ou 12 anos – fugas de primeiros ministros, usurpação de lugares no Estado, fugas ao fisco, revelações do segredo de Justiça, prescrição de processos nos Tribunais, politização da Justiça, politização das forças de segurança, a degradação do ensino, a doença crónica do sistema nacional de saúde, os escândalos da pedofilia, os negócios obscuros, o financiamento ilegal dos partidos, o regabofe de autarcas que parece estarem acima da Lei, o maná das empresas públicas e com capitais do Estado, a dúvida que fere os centros nevrálgicos de todo o sistema financeiro, etc. tudo isto e o resto, como dizia, flutua num mar de corrupções infectantes e alastrantes e resulta em três coisas singelas – a sensação de impunidade para os prevaricadores, desde que tenham meios com que fintar o Estado, o acentuar no desânimo e na desorganização do próprio Estado, e a decorrente medida paliativa de aumentar sempre os impostos para ser possível continuar a alimentar um sistema cada vez mais ineficiente e decadente, onde sendo todos iguais, há os que são efectivamente mais iguais do que os outros, que são aqueles a quem compete trabalhar para pagar a despesa.

Como um automóvel avariado, Portugal entrou em roda livre e terá já marcada a data do capotamento fatal.
É esta certeza que importa evitar.

Desde Cerveira às Ilhas Selvagens e desde Moimenta da Beira até à Ilha do Pico, a mentalidade de Portugal tem que ser mudada – radicalmente.
O Estado tem que ser reformado para que o país possa ser actualizado.

A nossa democracia e o Estado de Direito precisam, com urgência, que se instale uma versão Beta, com menos bugs e dotada de antivírus, para que possa emergir uma maneira transparente de fazer política, que reabilite no cidadão o respeito pelo Estado e pelas instituições e para que Portugal volte a fazer sentido como identidade autónoma dentro da Europa, impedindo que se diluam nela, as áreas essenciais da sua independência.

Para isso ser possível, dada a degradação em que a moral do país se encontra, o descrédito generalizado das instituições, e o esforço que será necessário suportarmos, o país precisa sobretudo de referências.
Precisa de exemplos combativos e realizadores, de coragem e de seriedade, de vontade e de empenhamento, de ter objectivos e de sentir e acreditar que vale a pena lutar para os atingir.
Portugal precisa de entusiasmo para surfar as ondas da vitória, ou será inexoravelmente submergido na globalização.

E como o exemplo tem sempre que vir de cima, importa eleger um presidente que, como Cavaco Silva, seja uma boa referência para o país, quer interna, quer externamente.
Mas uma boa referência para os objectivos que efectivamente contam, que são os do desenvolvimento económico e social dos portugueses e a definitiva modernização do país.

Só boas referências podem atrair investimentos e modernização e mobilizar o país para os objectivos que nos permitam passar a Nação de primeira linha.
Falo aqui do país do povo, não do país do offshore, da conspiração, da negociata ou do câmbio das influências, que é o país que nos tem feito a todos – perdermos os nossos passos nos passos que têm sido, de facto, perdidos.

Ouve-se muitas vezes dizer que o óptimo é inimigo do bom.
Repare-se que o sofrível é ainda maior inimigo do bom.
Cavaco Silva pode não ser óptimo, seja lá isso o que for, mas é reconhecidamente um bom candidato.
E Mário Soares, em todos os aspectos em que não é sofrível, está perfeitamente datado.
As ideias de Mário Soares perderam o pé e não são hoje exequíveis.
Por ironia dos tempos, são hoje na sua essência e no sentido amplo da palavra – cristalinamente reaccionárias.
Ou, como diz a juventude, Mário Soares – “já era”.

São estes os imperativos que me levam a apoiar a eleição de Cavaco Silva.
Também em consciência e por não me resignar, e porque acredito que ainda vale a pena.
 
Eu sou PSD (militante e pertenço a uma comissão política concelhia). Não sou "santanista" (e muito menos "santanette"). Estou incomodada com a postura que Cavaco teve durante as últimas legislativas.

Considero que é o melhor candidato mas, ainda assim, vai ter que me convencer a que o meu voto não seja em branco (pois seria incapaz de votar em qualquer candidato não apiado pelo meu partido). Conheço muita gente com a mesma opinião que eu, expressa de forma tímida. Será que isto não vai afectar a votação?

Em dúvida
 
http://ajferrao.blogspot.com/
Presidenciais.
Cavaco Silva quer debates a dois com todos os candidatos.

É lógico que Cavaco Silva pretenda debates dois a dois, não porque esteja convencido que ganhará todos mas porque acima de tudo debates entre Cavaco e os outros seria apenas isso mesmo. Ou seja quatro contra um. Onde segundo uma redistribuição justa de tempo entre todos, se o debate fosse de uma hora, só para exemplo, caberiam 12 minutos a Francisco Louçã, 12 minutos a Jerónimo de Sousa,
12 minutos a Manuel Alegre, 12 minutos a Mário Soares 12 minutos a Cavaco Silva.
Está-se mesmo a ver quem sairia mais prejudicado.
 
Cavaco = Educado
 
Mário Soares nunca teve este tipo de pruridos. Talvez esteja a irritar-se é por isto:

http://akriptonita.blogspot.com/
 
Como é que se desliga a porra do hino. E para quando a versão cantada pelo próprio?
 
Um comentário ao "post" (e é isso de deveriam fazer - se querem escrever tratados façam no vosso próprio blog): mandam as regras de citação que quando se cita uma fonte deve a mesma ser indicada, de modo a que o leitor possa confirmar a validade do que é escrito.
Dizer, como é hábito, "fonte próxima de..." é o mesmo que dizer nada (que relação de proximidade é essa?).

Umberto Eco e João Frada explicam isso melhor do que eu.
 
Excellent, love it! » »
 
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