Super Cavaco a Presidente

2005/10/21

 
O politico do sistema não muda

Identifico em Mário Soares e Jorge Sampaio dois políticos empenhados, com níveis de consciência diferentes e discursos também diferentes, na defesa de um sistema de exploração que na juventude criticaram, mas ao qual se sentem umbilicalmente ligados: o capitalismo. Mário Soares, pelas suas piruetas, apresenta uma trajectória mais sinuosa, e embora não se lhe conheça uma só obra séria (os seus livros são, no terreno do pensamento, antologias de lugares comuns) de criatividade ideológica, adquiriu como político notoriedade internacional por ser um comunicador e projectar a imagem do dirigente que pôs fim à Revolução Portuguesa. Dele têm sido traçados perfis contraditórios que sugerem um percurso desconcertante que resultaria de ao longo da vida o seu corpo haver sido habitado por seres diferentes e ate incompatíveis. Não o vejo assim. As contradições são aparentes. A ultima metamorfose, posterior à agressão dos EUA ao povo iraquiano, impressionou muita gente. Mário Soares, que nunca havia condenado a estratégia imperial de Washington e, como primeiro ministro e Presidente da Republica, se comportara sempre como um aliado dócil de sucessivas administrações norte-americanas, apresentou-se inesperadamente como um critico duro de George Bush e da sua política criminosa. É inegável que os efeitos dessa tomada de posição foram positivos. O mesmo ocorreu com a atitude assumida por Freitas do Amaral, não obstante a reflexão crítica deste sobre as consequências da estratégia irracional dos EUA ser muito mais elaborada e profunda do que a do fundador do Partido Socialista. Não faltou quem interpretasse como guinada à esquerda a condenação por Mário Soares do genocídio iraquiano e os seus alertas sobre os perigos para a humanidade de um neoliberalismo globalizado que a pode levar ao abismo. Houve quem estranhasse também a sua súbita defesa de alianças à esquerda do PS. Alguns dos comentadores de serviço na TV e nos jornais não hesitaram em falar de um "regresso às origens". Não cabe entrar no tema das origens de Mário Soares nem comentar as consequências nefastas das alianças que fez quando no poder. O que se me afigura útil, sim, é lembrar que nas suas oscilações pendulares de superfície, Mário Soares somente preconizou aproximações com forças progressistas consequentes -- nomeadamente o PCP -- em situações históricas em que estas não dependiam dele. Em momentos cruciais do processo revolucionário iniciado em Abril, a sua posição foi outra. No governo, mais tarde, fechou sempre a porta a acordos que traduzissem a vontade de mudança do povo, expressa nas urnas, ao levar à Assembleia da Republica uma maioria de deputados do PS e do PCP. Não hesitou então em aliar-se primeiro com o CDS, depois com o PSD. A perda da memória é sempre negativa na história dos povos. As criticas a Bush de Mário Soares não devem fazer esquecer que a sua opção ideológica de fundo permanece inalterada. O general Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal, personagens que deixam marcas na história profunda do nosso pais, caracterizaram com rigor e serenidade em livros importantes o papel negativo que Mário Soares desempenhou na contra-revoluçao portuguesa. Por si só, a amizade assumida do ex-presidente com Frank Carlucci é bem mais esclarecedora da sua ideologia e atitude perante a história do que as suas críticas de circunstancia à extrema direita bushiana. Recordo aqui, apenas, o que Mário Soares respondeu à TSF quando, depois de afirmar que Álvaro Cunhal não merecia a Ordem da Liberdade, defendeu a entrega de uma condecoração ao ex-director da CIA. Nesse dia, o 26 de Abril de 1997, ao jornalista com quem falava disse entre outras enormidades, que "o Carlucci bateu-se pela liberdade (...) e os comunistas que vivem em total liberdade devem um pouco esse facto ao contributo que Carlucci deu para isso". Sem comentários.
Diferentes são as máscaras que Mário Soares utiliza. Mas, sob elas, o político do sistema não muda.

Comments:
Comentário prévio:

Num blog colectivo como este, porque é que as entradas não hão-de ter um/a autor/a?

Espero que resistam a:
luta rasteira / corporativismos / ataques pessoais / de que outras candidaturas tanto parecem gostar..

Elevem o nível, se não der muito trabalho.
 
Que os políticos se fiam na memória curta dos eleitores, já não é novidade...
 
Embora não me considere de direita, entre Cavaco Silva e Mário Soares prefiro claramente o primeiro. Cavaco não precisa nem nunca precisou da política para reconhecimento social, parece-me homem sério, honesto e íntegro. Alguma sobranceria e arrogância de quando foi primeiro ministro parece-me ter-se desvanecido e se existiu devia-se às suas fortes convicções. As suas qualidades, no entanto, sobrepassam claramente eventuais defeitos.
Boa sorte para o blog, apesar de o nome não ser dos mais felizes..
 
Soares 1.975: amigo do Carlucci; Soares 2.005: amigo do Fidel Castro, Hugo Chavez, José Luis Zapatero, Fraga Iribarne?
 
É bom recordar.
Soares "ex-amigo" de Rui Mateus
 
Soares "ex-amigo" de Bettino Craxi, Giulio Andreotti, Carlos Andrés Pérez, Gustavo Cisneros....
 
Eu não gosto do Cavaco!
Eu não gosto de quem gosta do Cavaco!
Eu não gosto de quem é este Blog!
Eu só gosto de mim e do meu Joãozinho!
Eu gosto de mim!
Eu gosto muito de mim!
Existirá alguém após mim?
 
SOIS UNS COBARDES!!!

ESTE SUPOSTO BLOG DE APOIO A CAVACO È UMA TRETA DA EXTREMA ESQUERDA!!

SEJAM HOMES, JÀ QUE NÂO CONSEGUEM SER DEMOCRATAS, E ASSINEM COM O VOSSO NOME!!

AH! E TENHAM VERGONHA....A DEMOCRACIA ESTÀ PARA QUEM DÀ A CARA!
DOMINGOS
 
Ho Domingos

Tu assim até pareces segunda-feira, porra. Então não vês que este blogue até te deixa dizer as baboseiras que dizes enquanto o do teu padrinho não deixa? E se fosses chamar cobardes aos que traiçoeiramente se candidatam, aqueles que obrigam o PS a dar-lhe apoio, aqueles que traiem os próprios amigos (Zenha e Alegre) esses é que são cobardes. São aqueles que são Republicanos Laicos e Socialistas mas queriam dizer MonarcoSocialistas, agora mando eu e amanhão o meu filho (credo) e depois de amanhã o meu neto. Estou farto dessa ave o Rui Mateus é que tem razão, vai ler que ele também pertencia ao grupo

Habituem-se
 
Elogios al prof Cavaco en Libertad Digital: La esperanza se llama Cavaco, de Alberto Miguez.
 
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